Resumo
O projeto, desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), tem como objetivo formar navegadores oncológicos e oferecer suporte técnico aos serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), com foco no fortalecimento da linha de cuidado oncológica. A iniciativa propõe a capacitação de profissionais, a elaboração de protocolos de navegação e o apoio à implementação prática da estratégia nos territórios, especialmente em regiões com maior desigualdade no acesso ao diagnóstico e tratamento do câncer. Ao aprimorar a coordenação entre os níveis de atenção e reduzir barreiras de acesso, o projeto busca melhorar a qualidade do cuidado prestado às pessoas com câncer e contribuir para a integralidade e a efetividade da atenção oncológica no SUS.
Introdução
O Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) foi criado com o propósito de fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) por meio de uma colaboração estratégica entre o Ministério da Saúde (MS) e hospitais filantrópicos de excelência reconhecida no país. Essa iniciativa estimula a troca de conhecimento, o investimento em pesquisa, inovação, educação e gestão, possibilitando que o SUS amplie continuamente a qualidade e o alcance dos serviços de saúde oferecidos à população.
Em conformidade com a Portaria do Ministério da Saúde que institui o Programa de Navegação da Pessoa com Diagnóstico de Câncer, a navegação consiste no acompanhamento ativo e individualizado de pessoas com suspeita ou confirmação da doença, garantindo acesso ágil ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento contínuo. Diante da alta incidência de câncer no Brasil e das desigualdades regionais no acesso aos cuidados oncológicos, essa estratégia se torna fundamental para aperfeiçoar a linha de cuidado, reduzir o tempo entre as etapas do atendimento e promover resultados clínicos mais efetivos.
A navegação de pacientes surgiu originalmente nos Estados Unidos, na década de 1990, como uma prática voltada a guiar e apoiar pessoas com câncer em sua trajetória pelo sistema de saúde, assegurando cuidado humanizado, integral e tempestivo. No Brasil, embora já existam iniciativas isoladas em hospitais de ensino e centros especializados, a consolidação dessa política nacional representa um avanço decisivo na estruturação da atenção oncológica, especialmente a partir da publicação da Portaria que institui o programa.
Essa abordagem é conduzida por navegadores clínicos — profissionais de saúde, como enfermeiros — e navegadores não clínicos, formados especificamente para essa função e com conhecimentos básicos em oncologia. Ambos atuam na identificação e superação de barreiras individuais, sociais e institucionais, promovendo maior integração entre os serviços e adesão ao tratamento. Pesquisas indicam que a navegação é capaz de reduzir significativamente o intervalo entre o diagnóstico e o início da terapia oncológica, beneficiando principalmente grupos em situação de vulnerabilidade social.
Este projeto desenvolvido no âmbito do Proadi-SUS tem como foco formar navegadores oncológicos e oferecer suporte técnico a serviços estratégicos do SUS, com prioridade para regiões que enfrentam maiores desigualdades no cuidado ao câncer. A proposta inclui a capacitação de profissionais, a elaboração de protocolos de navegação e o apoio à implementação prática nos territórios, fortalecendo a coordenação entre os níveis de atenção, diminuindo tempos de espera e consolidando um modelo de cuidado centrado na pessoa.
Ao qualificar os serviços e diminuir as barreiras de acesso, o projeto contribui diretamente para os objetivos do Plano Nacional de Saúde e da Agenda 2030 das Nações Unidas, especialmente para a meta que visa reduzir a mortalidade precoce por doenças crônicas não transmissíveis, como o câncer, por meio de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento oportuno. O objetivo central é capacitar profissionais e consolidar a implementação do Programa de Navegação da Pessoa com Diagnóstico de Câncer em todo o SUS.
Métodos
A execução do projeto prevê a criação de um Grupo Executivo (GE) nacional, composto por representantes do Ministério da Saúde, do A.C.Camargo Cancer Center e, sempre que necessário, dos Conselhos de Secretários de Saúde estaduais e municipais. Esse grupo atuará como instância deliberativa, responsável por analisar e solucionar eventuais divergências entre os entes federativos envolvidos, garantindo alinhamento técnico e estratégico em todas as etapas de desenvolvimento do projeto.
Equipe
A.C. Camargo
Debora de Souza Ferreira
Deborah Vasconcelos
Ana Carolina Ratti
Janaína Santos Paulista
Ariane Silva da Rocha
Fernando Freitas