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13.03.2020 - Editado em 13.03.2020 - Compartilhar:
Projeto do Hospital Moinhos de Vento irá implantar teste desenvolvido na África do Sul para diagnóstico da tuberculose
Técnica amplia efetividade de exames em crianças e pode reduzir riscos de progressão e transmissão da doença com o subdiagnóstico

A técnica desenvolvida pela pesquisadora sul africana Heather Zar, da Universidade da Cidade do Cabo, já conseguiu ampliar em 22% o número de crianças diagnosticas com tuberculose naquele país. Além de ser mais eficaz na coleta de material, também permitiu avanços na forma de análise. As vantagens: diagnóstico mais rápido, início imediato do tratamento e redução dos riscos de transmissão e de progressão da doença.

“Os exames tradicionais, de cultura, podem levar de 3 a 5 semanas para ficarem prontos. Por meio destes testes de biologia molecular, o resultado sai em um dia. Assim podemos entrar imediatamente com a medicação”, explica Heather. A pesquisadora esteve presente no Seminário PROADI-SUS do Hospital Moinhos de Vento, na quinta-feira (12), e no  lançamento oficial do projeto TB PED - Estudo Epidemiológico sobre a Prevalência Nacional de Agentes Respiratórios em Crianças, nos dias 13 e 14, no Hotel Plaza San Rafael, em Porto Alegre (RS). 

A tuberculose registra cerca de 35 novos casos por 100 mil habitantes a cada ano no Brasil e, junto com outras doenças respiratórias, é objeto de pesquisa do projeto TB PED. O estudo vai testar a técnica sul africana em crianças brasileiras e deve ser implantada na rede pública em todo o país. O projeto é desenvolvido pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS).

“O ponto principal é que se estima que tenhamos um subdiagnóstico da doença em crianças, que hoje representam 7% dos pacientes brasileiros com tuberculose. Isso porque muitas vezes elas não conseguem tossir espontaneamente nem produzem muita secreção, o que gera material com poucas bactérias. O teste da pesquisadora Heather Zar inicia com nebulização com uma solução rica em sais, o que aumenta a produção de escarro para que se tenha material suficiente para a testagem. Sem contar que a forma de análise permite que tenhamos o resultado em minutos”, explica infectologista pediátrico do Hospital Moinhos de Vento, Marcelo Comerlato Scotta.

Scotta, que é o líder do projeto, acredita que a implantação da técnica vai possibilitar que o SUS tenha a real dimensão da incidência de tuberculose em crianças no Brasil. A partir da busca ativa de pacientes, o estudo também identifica os fatores de risco associados à tuberculose, avalia a acurácia de métodos diagnósticos, identifica patógenos associados e produz materiais educativos.

A pesquisa envolve 31 profissionais, sob a coordenação técnica do pneumologista pediátrico Renato Tetelbom Stein. Ele explica que estão sendo coletadas informações de mais de 1.100 crianças com idades entre 12 meses e 15 anos, tanto internadas como que receberem atendimento ambulatorial com suspeita da doença.
Projeto do Hospital Moinhos de Vento irá implantar teste desenvolvido na África do Sul para diagnóstico da tuberculose
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