Resumo

Mesmo com inúmeros avanços da Saúde no Brasil nos últimos anos, principalmente com relação à ampliação da cobertura nos diferentes níveis de atenção, são notórias as dificuldades das diferentes regiões do país no que se refere à gestão dos serviços de urgência e emergência. Dentre estas dificuldades, destacam-se a questão orçamentária, estrutura, desafios na atração e qualificação profissional, necessidade de fortalecimento dos processos de regulação e, principalmente, de gestão, pontos estes importantes a serem melhorados visando eficiência e qualidade nos serviços ofertados à população.

Uma análise realizada pelo World Bank Group (WBG) aponta que o Brasil poderia aumentar os resultados de saúde em 10% mantendo os gastos, ou poderia reduzir em 34% os seus gastos para atingir os resultados atuais. A baixa qualidade dos serviços de saúde e a necessidade de uma gestão mais efetiva dos recursos fizeram com que alguns métodos e ferramentas comumente adotados na manufatura fossem adaptados para a área de saúde. Dentre eles, destacam-se os princípios da produção enxuta, também sendo conhecida como Lean Healthcare.  Na literatura, o processo que tem apresentado maior número de aplicações da metodologia é o de emergência, pois é considerado altamente ineficiente, apresentando problemas como superlotação, erros, giro ineficiente de leitos, atrasos, alto custo, baixa qualidade e risco elevado para o paciente. 

O Lean é uma filosofia de gestão que utiliza princípios e técnicas para melhoria de processos baseado em tempo e valor, desenhada para assegurar fluxos contínuos e eliminar tanto desperdícios quanto atividades de baixo valor agregado.

Todas essas melhorias levam a uma maior qualidade com redução de desperdícios – em outras palavras, maior geração de valor para o paciente. As atividades desenvolvidas promovem a autonomia dos profissionais de saúde beneficiados pelo projeto, resultando em melhora na passagem do paciente pelo serviço de urgência e emergência, até sua chegada ao local correto, com recurso correto e no tempo correto.

Cada Pronto Socorro (PS) tem a oportunidade de oferecer excelência para cada paciente, a cada instante, a cada encontro. O projeto pode ser resumido a: salvar vidas, restaurar a saúde e criar esperança.


Introdução

O Lean nas Emergências tem como objetivo reduzir os riscos à saúde de pacientes e profissionais do setor em unidades hospitalares acometidas pelo problema da superlotação e aumentar a oferta de serviços através da otimização dos fluxos de atendimento utilizando a metodologia Lean Healthcare.

Com a participação dos hospitais Moinhos de Vento e BP - A Beneficência Portuguesa de SP no triênio 2021-2023, busca-se sua capilaridade no país e seu impacto na saúde pública brasileira, beneficiando mais 50 hospitais com a equipe da BP e 36 hospitais com o apoio do HMV. Além do desafio da ampliação da abrangência, soma-se o de garantir a manutenção e sustentabilidade dos resultados obtidos nos ciclos anteriores do projeto.

Entre as metas da iniciativa estão: 

  • Redução dos níveis de superlotação nos serviços de urgência dos hospitais participantes entre o momento de diagnóstico inicial e período de monitoramento do projeto (para esta avaliação será utilizado o Indicador sintético de superlotação NEDOCS - National Emergency Department Overcrowding Score);
  • Redução do tempo de passagem do paciente entre o momento de admissão e a alta, demonstrado como uma variação entre o momento de diagnóstico inicial e o período de monitoramento do projeto (Indicador: tempo de permanência, inclusive internação);
  • E a redução do tempo de passagem do paciente no serviço de urgência, considerando o intervalo de tempo entre a admissão e a chegada a um leito em unidade de internação, demonstrado como uma variação entre o momento de diagnóstico inicial e o período de monitoramento do projeto (Indicador: tempo de permanência, exceto internação). 
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    Objetivos do Plano Nacional de Saúde aos quais o projeto se vincula:

  • Objetivo 02: Promover a ampliação da oferta de serviços da atenção especializada com vista à qualificação do acesso e redução das desigualdades regionais;
  • Objetivo 07: Aperfeiçoar a gestão do SUS visando a garantia do acesso a bens e serviços de saúde e de qualidade.
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    Políticas Públicas vinculadas:

  • Política Nacional de Urgência e Emergência;
  • Política Nacional de Gestão Estratégica e Participativa.
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    Triênio anterior:

    No triênio 2018-2020, o Lean nas Emergências atuou em 102 hospitais de 24 Unidades da Federação de todas as regiões do país. Mais de 1.600 profissionais de saúde de diferentes categorias profissionais foram capacitados em treinamentos presenciais e/ou realizados à distância. Em atividades consultivas in loco, mais de 1.400 profissionais de saúde foram envolvidos.

    De maneira geral, os hospitais beneficiados tiveram, em média, redução de 38% no índice de superlotação (Nedocs), queda de 41% no tempo médio de permanência daqueles pacientes que entraram no serviço de urgência e demandaram internação e diminuição de 21% no tempo médio entre a chegada do paciente ao serviço e primeiro contato com equipe médica.


    Métodos

    A Metodologia Lean utiliza alguns princípios e técnicas operacionais buscando sempre reduzir o desperdício de recursos, a melhoria da qualidade e a maximização do valor entregue ao cliente. As ações se baseiam principalmente na redução de sete desperdícios:

  • Falta de Qualidade;
  • Espera;
  • Estoques;
  • Movimentação;
  • Transporte;
  • Processos desnecessários;
  • Superprodução. 
  • Além de identificar tais desperdícios de uma forma mais clara, oferece ferramentas para reduzi-los. O Pensamento Enxuto é o responsável por guiar a metodologia e ele se baseia em cinco princípios: 

  • Valor: especificar valor sob a ótica do cliente;
  • Fluxo de valor: a melhor sequência as atividades que criam valor;
  • Fluxo contínuo: realizar essas atividades sem interrupção; 
  • Produção puxada: realizar as atividades sempre que alguém as solicita;
  • Perfeição: de maneira cada vez melhor e mais eficaz, com melhoria contínua. 
  • Além das ferramentas próprias, outras teorias são utilizadas na execução, como teoria de filas, teoria das restrições, protocolo de capacidade plena, teoria da variabilidade, estratégias de fluxo entre outros. 

     

    Diagnóstico e Capacitação

    Os hospitais que desejarem aderir ao projeto serão selecionados conforme critérios de elegibilidade. Cada unidade passará inicialmente por um diagnóstico que avaliará o desempenho de seus principais processos assistenciais e de apoio. Em paralelo, um grupo de profissionais de saúde passará por capacitação, a qual envolverá conceitos básicos e ferramentas práticas para aplicação nos hospitais.

     

    Implementação de melhorias

    Concluído o diagnóstico, é iniciada a fase de implementação de melhorias. Nesta etapa, uma dupla de consultores (um médico e um especialista de processos) realizará visitas aos hospitais para capacitar in loco as equipes, identificar oportunidades e apoiar a implementação de melhorias, de acordo com as ferramentas da metodologia Lean. Essa fase durará, em média, seis meses e, após o término desse período, a equipe da unidade de saúde poderá permanecer vinculada ao projeto por mais 12 meses, submetendo indicadores de monitoramento que permitirão aferir os resultados das ações em um intervalo de tempo maior. Esta plataforma será operada em colaboração com o Hospital Sírio-Libanês (Comunidade Lean nas Emergências).

    Para os hospitais que já tenham recebido o projeto anteriormente, “Lean Fase II”, a principal diferença é que os ciclos de visitas transcorrem durante quatro meses, com foco em temas como: Giro de Leito e Eficiência no Centro Cirúrgico - a cada visita é realizado mapeamento de processos, que, após priorização via matriz de esforço e impacto, elaboram-se planos de ação e monitoramento de indicadores de performance.

     

    Comunicação

    Além das melhorias para redução de desperdícios proporcionadas pelo Lean, são utilizadas algumas ferramentas para melhoria da comunicação entre os profissionais das diversas áreas, em especial os “daily huddles” (encontros diários de troca de informação e tomada de decisão). Também será desenvolvido um Plano de Capacidade Plena para enfrentamento da superlotação, o qual é customizado de acordo com as características de cada hospital. 

     

    Gestão de indicadores

    Além disso, o projeto também orienta as equipes do hospital para que possam estabelecer um método de gestão de processos orientado a indicadores, facilitando o monitoramento dos principais tempos de espera e permanência. Poderão ser incluídas no projeto tanto unidades hospitalares públicas, sob gestão da Administração direta quanto indireta. Também podem ser contempladas unidades privadas filantrópicas que realizam atendimento exclusivo para o Sistema Único de Saúde.

     

    O projeto tem ações focadas em três frentes:

  • Melhoria dos fluxos de trabalho nas emergências dos hospitais e nos fluxos “à montante” (centro cirúrgico, centro diagnóstico, unidades de internação e unidades críticas), podendo eventualmente atuar sobre outros fluxos relacionados a processos de apoio e que porventura possam impactar diretamente na jornada dos pacientes;
  • Desenvolvimento e implantação de um Plano de Capacidade Plena para situações de superlotação dos hospitais;
  • Disponibilização de acesso à plataforma “Comunidade Lean nas Emergências” para compartilhamento de experiências e oferta de conteúdos adicionais de qualificação.

  • Resultados

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    Equipe

    • BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo

      Liderança

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      Equipe

      Colaboração

      Área Técnica
    • Hospital Moinhos de Vento

      Liderança

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      Equipe

      Colaboração

      Área Técnica
    • Hospital Sírio-Libanês

      Liderança

      Gerente do Projeto:

      Marco Antonio Saavedra Bravo Coordenador do Projeto: Juvenal Candido Da Silva Neto Coordenador Médico:

      Welfane Cordeiro Junior


      Equipe

      Médicos: Alexandra Daniel  Cristiano Valerio Ribeiro http://lattes.cnpq.br/7598209374019291 Emerson Oliveira de Medeiros  Guillermo Pinheiro 

      Gustavo Justo Schulz

      Gutemberg Lavoisier Da Cruz http://lattes.cnpq.br/9600698149657598 Leonardo de Lima Leite

      Lilian Mesquita Gomes Marcello Creado Pedreira Marcus Vinicius Melo de Andrade

      Michel Cadenas Prado  Raimundo Nonato Diniz Rodrigues Filho http://lattes.cnpq.br/3642799865004483 Paulo Roberto Cavallaro Azevedo Rasivel Dos Reis Santos Junior  

      Especialistas na Metodologia Lean:

      Adriano Sales Fernandes Álvaro Batistella Filho Angela de Souza

      Daniel Meireles Meira Denis Dias Gustavo de Souza Jackeline de Carvalho Jean Kleber

      Nicolas Roberto Da Silva Marcelino

      Renata Gonsalez Dos Santos Vinicius Renó De Paula  

      Equipe Técnica:

      Rafael Abreu Sarilio

      Lucas Dhiego Ferreira da Silva Soares Caroline da Silva Souza Renata Paula Costa dos Santos

       


      Colaboração

      Área Técnica

      Departamento de Assistência Hospitalar e Urgência - DAHU Secretaria de Atenção à Saúde - SAS Ministério da Saúde


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