Resumo

O Brasil, historicamente, enfrenta um problema crônico de acesso à saúde. No estudo Demografia Médica no Brasil 2018 é relatado que, na década de 1980, havia 1,15 médico para cada mil habitantes do país. Em janeiro de 2018,  a razão era de 2,18 médicos por mil habitantes. No entanto, o aumento dessa taxa não foi, necessariamente, refletido na ampliação do acesso aos cuidados de saúde para a população brasileira, tendo em vista a imensa desigualdade de distribuição desses profissionais entre as diferentes regiões do país.

Quando as porcentagens de médicos e de população por região (ou estado) são comparadas aos números do conjunto do Brasil, as desigualdades são mais visíveis. Por exemplo, na região sudeste, onde moram 41,9% dos brasileiros, está mais da metade (54,1%) dos profissionais, ao passo que na região norte, onde moram 8,6% da população, estão apenas 4,6% dos médicos. 

Diante disso, para ter acesso a uma consulta com um especialista, essa população precisa, muitas vezes, de um transporte aéreo, ou viajar dias de barco - muitas vezes dias para ida, e dias para o retorno - para ser atendida, o que demanda altos custos, tempo e causando desgastes físicos. 

Neste cenário, o TeleAMEs busca ampliar o acesso dessa população ao atendimento especializado por meio de teleinterconsultas entre o profissional médico generalista da localidade com profissionais contratados pelo Hospital Israelita Albert Einstein, evitando o deslocamento desnecessário do paciente e reduzindo o tempo de espera em filas de atendimento.

 


Introdução

O projeto busca melhorar a qualidade da assistência, reduzir os tempos de espera, melhorar a satisfação do usuário, reduzir o número de transferências desnecessárias de pacientes e, consequentemente, aprimorar a alocação de recursos para melhorar a saúde geral da população.

Neste programa, quando o médico da UBS participante encaminha um paciente a uma das especialidades mencionadas anteriormente, é agendada uma teleinterconsulta com o especialista do Einstein. Em conjunto com médico local e paciente, ele fornece as informações relevantes para a condução do caso, baseadas em protocolos clínicos validados internacionalmente, adaptados para considerar a realidade dos recursos disponíveis no local. 

Esse processo cria um ciclo virtuoso, em que o médico generalista obtém uma resposta direta e interativa, podendo tirar suas dúvidas e, com o tempo, passar a lidar com casos semelhantes de forma autônoma. Isso torna a atenção primária mais eficiente e resolutiva, com cada vez menos encaminhamentos inadequados e maior empoderamento da equipe de saúde local. Evita-se ainda os altos custos de deslocamento para tratamento fora do domicílio, que afetam fortemente as prefeituras locais, já carentes de recursos. 

 


Métodos

Este projeto ambicionava viabilizar a implantação e manutenção dos 120 (cento e vinte) ambulatórios de especialidades médicas por telemedicina para Unidades Básicas de Saúde (UBS), Universidades locais e/ou Casas de saúde indígenas em municípios da região Norte do Brasil, tendo como foco teleinterconsultas eletivas, com agendamento prévio, em sete especialidades médicas para suporte ao médico da atenção primária no diagnóstico e tratamento. Atualmente são mais de 140 pontos implantados considerando unidades de saúde extras e com potencial em alcançar até 230 pontos até o fim do triênio.

A distribuição das localidades iniciais a serem implantadas foi definida, através de critérios estabelecidos, pelo Ministério da Saúde. A seleção dos municípios foi direcionda pelos dados demográficos dos municípios, carência de médicos especialistas, distância de centros médicos com acesso aos especialistas.

É contemplado um total de 316.777 horários disponíveis, sob agendamento em dias úteis, para teleinterconsultas com especialistas durante o triênio atual, sendo a agenda compartilhada entre todas as localidades implantadas no projeto.


Resultados

Com a situação da pandemia instaurada no Brasil, a partir de março de 2020, devido ao novo coronavírus (Covid-19), foi realizada uma pausa no projeto entre março/2020 e setembro/2020, sendo as atividades realizadas nos demais meses do ano. Desta forma, foi realizada a implementação dos ambulatórios de especialidades médicas por telemedicina em municípios da região Norte do Brasil em duas localidades, sendo estas o Pará e o Amazonas. Nestas localidades foram ativadas no total 10 instituições, sendo 8 delas no estado do Pará (Abaetuba, Altamira, Breves, Castanhal, Jacundá, Marabá, Paragominas e Santarém) e 2 no Amazonas (Careiro e Manaus), nas quais foram realizadas um total de 1.168 consultas por telemedicina.

Além disso, foi realizada uma publicação científica no PublMed com fator de impacto 3,5 intitulada Teleconsulta em cardiologia na região com o maior número de cidades isoladas no Brasil: dados iniciais do programa governamental e ideias para melhoria, estando disponível no link: https://www.fortunejournals.com/articles/cardiology-teleconsultation-in-the-region-with-the-largest-number-of-isolated-cities-in-brazil-initial-data-from-the-government-pr.html


Equipe

  • Hospital Israelita Albert Einstein

    Liderança

    Dr. Eduardo Cordioli – Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP – Lattes


    Equipe

    Renata Albaladejo Morbeck – Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP

    Carlos Pedrotti – Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP

    Andre Pires dos Santos – Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP

    Cassia Coelhoso – Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP


    Colaboração

    Alberto Beltrame


    Área Técnica

    Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e Secretaria Executiva (SE) do Ministério da Saúde.


Indicadores

69056
Quantidade de atendimentos
planejados
42841
Quantidade de atendimentos
realizados

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