Resumo

A asma é uma das doenças crônicas mais comuns que afeta tanto crianças quanto adultos, sendo um problema mundial de saúde com cerca de 262 milhões de pessoas acometidas e 461.000 mortes no mundo, de acordo com o Global Burden of Disease Study 2019. A maioria das mortes ocorre em países de renda baixa e média-baixa, onde o subdiagnóstico e o subtratamento são um desafio. Só no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, estima-se que existam aproximadamente 20 milhões de asmáticos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), educar pessoas com asma e suas famílias sobre sua doença, seu tratamento, os gatilhos a serem evitados e como lidar com seus sintomas em casa, são fatores que podem reduzir o impacto em âmbito global. No Brasil, 90% dos pacientes com asma têm sua doença não controlada, com 250 mil hospitalizações por ano (R$ 150 milhões/ano) e seis óbitos por dia.

Considerando que a asma deve ser tratada como uma doença crônica como outra qualquer, a terapia essencial para a maioria dos pacientes deve incluir o uso contínuo de corticoide inalatório associado ou não a broncodilatador beta-2 adrenérgico de longa ação. No entanto, em torno de 90% dos asmáticos brasileiros e de outros países da América Latina utilizam somente a medicação de resgate quando têm sintomas, resultando nos dados alarmantes citados anteriormente. Desta forma, é premente uma estratégia de alta capacitação de profissionais da atenção primária para o manejo da asma, com potencial impacto nos índices negativos da doença no SUS.


Introdução

O objetivo central do projeto é desenvolver melhorias assistenciais em saúde pública no Brasil para diagnóstico e manejo precoce de asma na atenção primária, por meio da implementação de um programa de educação e capacitação de profissionais e agentes comunitários de saúde, baseado no Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de asma, de melhoria de qualidade assistencial com telemonitoramento, avaliando sua efetividade por meio de um estudo de intervenção em pacientes maiores de 6 anos de idade atendidos em 15 Unidades Básicas de Saúde (UBS). A expectativa é resultar em menos hospitalizações, visitas a salas de emergência e consultas não programadas em Unidade Básica de Saúde (UBS).

Será avaliado o impacto da implementação do protocolo assistencial de asma para a atenção primária no SUS, em 30 UBS, sobre: 1) hospitalizações, 2) consultas em sala de emergência, 3) controle da doença, 4) qualidade de vida, 5) função pulmonar, 6) mapeamento de procedimentos específicos que ocorrem durante a hospitalização por asma para determinação de custos por TDABC e 7) uso de medicações, comparando com o atendimento padrão vigente de vida real do SUS. O estudo vai avaliar, inclusive, a prevalência e o impacto de infecções por COVID-19 nestes pacientes.

Benefícios ao SUS

A iniciativa tem o desafio de reduzir hospitalizações por asma no SUS e promover oferta de educação básica e continuada on-line (no portal UNA-SUS) para todos os profissionais que integram a equipe multidisciplinar da Estratégia de Saúde da Família do país. 

De forma imediata, impacta na assistência de cerca de 720 pacientes com acesso ao protocolo assistencial de asma, tendo potencial para levar à redução de exacerbações, hospitalizações, consultas não agendadas em UBS, perda de dias de trabalho e necessidade de visitas a salas de emergência. Entre seus benefícios à saúde pública brasileira estão a diminuição de custos através da otimização dos processos de diagnóstico e manejo da asma na atenção primária, além da qualificação do serviço do SUS e da entrega, ao Ministério da Saúde, de programas de educação e capacitação em asma para profissionais da atenção primária do SUS.

Objetivos do Plano Nacional de Saúde aos quais o projeto se vincula:

  • Objetivo 1. Promover a ampliação e a resolutividade das ações e serviços da atenção primária de forma integrada e planejada;
  • Objetivo 3. Reduzir ou controlar a ocorrência de doenças e agravos passíveis de prevenção e controle;
  • Objetivo 4. Fomentar a produção do conhecimento científico, promovendo o acesso da população às tecnologias em saúde de forma equitativa, igualitária, progressiva e sustentável.
  • Políticas públicas vinculada:

  • Política Nacional de Atenção Básica (PNAB);
  • Política Nacional de Promoção de Saúde (PNPS);
  • Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde.

  • Métodos

    O protocolo de assistência em asma para atenção primária do SUS, baseado na última atualização realizada em 2021 do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de asma, será desenvolvido com enfoque em ações pragmáticas para diagnóstico e manejo precisos e direcionados a profissionais de saúde da atenção primária.

    O impacto da implementação será avaliado através de indicadores, tais como hospitalizações e visitas à emergência por asma, controle da doença, qualidade de vida, função pulmonar e custos. Adicionalmente, procedimentos específicos que ocorrem durante a hospitalização por asma serão mapeados para realização de avaliação por microcusteio (metodologia TDABC - Time Driven Activity Based Costing). Esta etapa visa fornecer dados robustos de custos das atividades decorrentes de internação hospitalar por asma, contemplando o uso de materiais e utilização de recursos humanos (horas/profissional) diretos. Sendo assim, após análise da eficácia do protocolo será viável fornecer um gradiente de custo-efetividade da intervenção.

    O projeto incluirá cerca de 30 UBS de todas as regiões do Brasil, que serão randomizadas em de intervenção e controle, divididos igualmente. As equipes, no seu âmbito multidisciplinar, de saúde da família do grupo intervenção, cerca de 15 UBS, receberão capacitação do protocolo assistencial. A capacitação das UBS do grupo de intervenção será realizada por meio de aulas em EAD, elaboradas por especialistas em doenças respiratórias e profissional especialista em APS, dirigidas a toda equipe de saúde da família na plataforma UNA-SUS, contemplando treinamento em diagnóstico e manejo farmacológico e não-farmacológico da asma; treinamento na obtenção de espirometria pré e pós broncodilatador; e treinamento em educação do paciente em técnica inalatória, reconhecimento de exacerbações e intervenções farmacológicas. 

    As UBS do grupo controle manterão seus protocolos de atendimento usuais. Após a coleta de dados do estudo, serão capacitadas para o protocolo assistencial do estudo e serão disponibilizadas as capacitações por meio de aulas EaD às equipes de saúde da família. Todas as 30 equipes receberão treinamento para as atividades de coleta de dados clínicos para o estudo, incluindo treinamento para obtenção de espirometria e análise da qualidade das manobras do exame. O banco de dados será estruturado na plataforma REDCap e a entrada de dados será feita por coletadores responsáveis em cada UBS. 

    Pacientes recrutados

    Ao todo, serão recrutados para o estudo 1.440 pacientes (aproximadamente 48 por UBS), maiores de 6 anos de idade, com diagnóstico de asma moderada a grave seguindo critérios da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, com histórico de mais de uma exacerbação com uso de corticoide oral nos últimos 12 meses, com possibilidade de acesso da equipe do estudo por meio de telefone pessoal do paciente ou responsáveis, em acompanhamento por pelo menos 12 meses, nas 30 UBS participantes. Serão excluídos pacientes:

  • Com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), definida como dispneia acompanhada de tosse crônica com ou sem escarro, infecções respiratórias de repetição e espirometria com índice VEF1/CVF <0,7 após broncodilatador; 
  • Comprometimento cognitivo e outras enfermidades que possam afetar o tratamento da asma ou adesão ao estudo. 
  • Além disso, em virtude da pandemia de SARS-CoV-2, serão coletados dados de todo e qualquer evento de COVID-19 nos pacientes incluídos, dentro do protocolo de pesquisa, e serão desenvolvidos dois materiais em EAD sob manejo de COVID-19 em pacientes com asma, um para pacientes e outro para profissionais da saúde.


    Resultados

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    Equipe

    • Hospital Moinhos de Vento

      Liderança

      Frederico Orlando Friedrich - Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre


      Equipe

      Colaboração

      Área Técnica

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