Melhorando a segurança do paciente em larga escala no Brasil
Hospital Israelita Albert Einstein

Melhorando a segurança do paciente em larga escala no Brasil
Saúde em Nossas Mãos
2018-2020

Melhorando a segurança do paciente em larga escala no Brasil
Resumo
O projeto “Melhorando a Segurança do Paciente em Larga Escala no Brasil” aborda a implementação de diretrizes para aumentar a segurança do paciente nas instituições públicas de saúde, a partir da prevenção das IRAS (Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde), que acomete centenas de milhões de pacientes todos os anos. Dentre as IRAS, três foram selecionadas para este projeto por representarem um alto grau de mortalidade, morbidade e custos hospitalares: Infecção primária de corrente sanguínea associada a cateter venoso central (IPCS); Pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) e Infecção do trato urinário associada ao cateter vesical (ITU-AC).
Estudos na Inglaterra apontam que 1 a cada 100 pacientes pode sofrer evento adverso relacionado à assistência hospitalar. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 14 em cada 100 pacientes admitidos nos hospitais são afetados por infecções hospitalares. Embora ações já tenham sido implementadas no Brasil para reduzir esses índices - como o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) e a RDC (Resolução da Diretoria Colegiada) nº 36 - as infecções hospitalares continuam afetando milhares de pacientes anualmente. Estima-se que 67% dos casos registrados poderiam ter sido evitados. Nesse sentido, o projeto visa reforçar as ações nessa área, propondo diretrizes para evitar infecções hospitalares.
O objetivo central desta iniciativa é reduzir as IRAS: IPCS, PAV e ITU-AC em UTIs de 120 hospitais públicos do país, no triênio 2018-2020. A meta é alcançar uma redução de 50% até dezembro de 2020.
A partir da metodologia baseada na ciência da melhoria, equipes de 120 hospitais públicos têm sido capacitadas no desenvolvimento de Ciclos de Melhoria para a implantação das medidas que levam à prevenção das IRAS. Tais capacitações são realizadas de forma presencial e à distância e contam com a orientação dos Hospitais de Excelência (HE), entre os quais o Hospital Israelita Albert Einstein. Os HE atuam na capacitação técnica e na revisão do sistema de trabalho, entre outras iniciativas. Após a capacitação, os hospitais implantam as melhorias de forma gradual, de acordo com os planos preestabelecidos no projeto. As melhorias são monitoradas pelos HE, por meio de indicadores e visitas técnicas.
O projeto foi elaborado de forma colaborativa pelos HE, equipe técnica da Coordenação do Programa Nacional de Segurança do Paciente, Coordenação Geral de Atenção Hospitalar e de Urgência do Departamento de Atenção Hospitalar da Secretaria de Atenção à Saúde (CGHOSP/DAHU/SAS/MS).
Alinhado ao Plano Nacional de Saúde, o projeto espera reduzir, em médio prazo, a incidência dos principais indicadores de infecção hospitalar, além de disseminar o modelo de melhoria para outras unidades e outros hospitais, bem como demonstrar o impacto financeiro com a prevenção das infecções. A longo prazo, a expectativa é contribuir com a mudança da cultura das organizações de saúde com relação à segurança do paciente.


Introdução

A prestação do cuidado por profissionais da área da saúde pode ocasionar danos aos pacientes, os quais, na maioria das vezes não são intencionais, porém acarretam prejuízos físicos, emocionais, sociais e até fatais. Infecções relacionadas à assistência a saúde (IRAS) são exemplos destas condições que causam dano ao paciente.

As Unidades de Terapia Intensiva (UTI) são ambientes de risco onde processos e dispositivos invasivos são necessários para a manutenção da vida. Os processos de inserção e manutenção de alguns desses dispositivos podem aumentar a chance de infecções acarretando eventual sofrimento ao paciente, uso de antibióticos ou aumento do tempo de internação e do custo.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, de cada 100 pacientes hospitalizados, 10 pacientes ficam expostos a infecções associadas a cuidados de saúde nos países em desenvolvimento. No Brasil, o cenário não é diferente. Em hospitais brasileiros, acredita-se que cerca de 70% dos danos que ocorrem podem ser evitados. Dado esse contexto, o Ministério da Saúde (MS) instituiu em 2013 o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), cujo objetivo principal é contribuir para a qualificação do cuidado nos estabelecimentos de saúde públicos e privados.

O projeto Saúde em Nossas Mãos busca somar esforços aos programas nacionais vigentes, estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e Vigilâncias Sanitárias locais. O objetivo é melhorar a segurança do paciente com a implantação de práticas de prevenção de infecções relacionadas ao uso de ventilação mecânica, uso de cateteres venosos e de sondas vesicais em 119 UTIs nas cinco regiões do Brasil.

Os cinco hospitais PROADI-SUS trabalham de forma colaborativa para a execução do projeto, utilizando metodologia e apoio técnico do Institute for Healthcare Improvement (IHI). São eles: Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Hospital do Coração, Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Moinhos de Vento e Hospital Sírio Libanês.



Métodos

As infecções prevenidas neste projeto são as mais prevalentes entre as IRAS e contribuem para o aumento da mortalidade, morbidade e dos custos hospitalares - infecção primária de corrente sanguínea associada a cateter venoso central, comprovadas laboratorialmente (IPCSL), pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) e infecção do trato urinário associada ao uso do cateter vesical de demora (ITU-AC). O pacote de mudanças está alinhado ao PNSP e ao PNPCIRAS.

É um projeto colaborativo conduzido pelos hospitais PROADI-SUS, equipe técnica do PNSP, Coordenação Geral de Atenção Hospitalar e de Urgência do Departamento de Atenção Hospitalar (CGHOSP/DAHU/SAS/MS).

Cada hospital PROADI-SUS orienta 24 instituições na adoção das práticas de prevenção, em diferentes estados do Brasil. Atualmente participam 119 instituições em 25 estados e Distrito Federal.

Os 119 hospitais são capacitados para implantar as medidas de prevenção por meio de Ciclos de Melhorias (PDSA), até que o processo seja sustentado e praticado por todos. Durante o projeto ocorrem sessões de aprendizagem presenciais (SAP) e virtuais (SAV) para a troca de experiências e acompanhamento dos resultados.

Os hospitais seguem um plano acordado com a equipe técnica de especialistas (hospitais PROADI e IHI) em forma de Diagramas Direcionadores (DD), adaptados às respectivas necessidades. As mudanças são monitoradas por visitas in loco, além dos indicadores reportados e analisados mensalmente.

O projeto utiliza a metodologia denominada Modelo de Melhoria (IHI), testada internacionalmente. Neste método os testes são feitos em pequena escala resultando em aprendizado e adaptações, antes da implantação em larga escala.

As ações essenciais para alcançar os resultados esperados incluem os testes de mudança, o trabalho colaborativo, o engajamento de pacientes e familiares e o desenvolvimento da liderança com foco na segurança do paciente.



Resultados

As Sessões de Aprendizagem Presenciais já realizadas ocorreram em dezembro de 2017, abril, agosto, novembro de 2018 e março de 2019, com participação em média de 600 pessoas das instituições participantes, Ministério de Saúde, Secretarias de Saúde, Vigilância Sanitárias e, convidados.

O resultado agregado dos 119 hospitais participantes da Colaborativa até abril de 2019 mostra reduções de 41% das taxas de infecção de corrente sanguínea (IPCSL), 48% das taxas de infecção do trato urinário associada ao uso de cateter urinário (ITU-AC) e 28% das taxas de infecção de pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV). Estima-se que neste período foram evitadas 2345 infecções e 779 vidas foram salvas.

Além dos resultados assistenciais, o projeto também realiza a coleta de dados em alguns hospitais voluntários para o cálculo do custo associado às infecções (custo incremental). Este modelo será aplicado nos hospitais participantes visando demonstrar os ganhos financeiros do projeto com a redução de custos e desperdícios.

A lista completa das instituições está disponível na página http://portalms.saude.gov.br/acoes-e-programas/programa-nacional-de-seguranca-do-paciente-pnsp



Liderança
Paula Tuma – Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Lattes

Equipe
Roselaine Maria Coelho de Oliveira - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Lattes
Fabíola Natalí da Costa Campos - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Lattes
Claudia Vallone - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Lattes
Youri Eliphas de Almeida - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo,SP - Lattes
Flávia Fernanda Franco - Hospiatal Israelita Albert Einstein, São Paulo,SP - Lattes

Colaboração
Alexandra do Rosário Toniolo - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP -Lattes
Marco Antônio de Salvo Júnior- Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP -  Linkedin
Elaine Cristina Garcia Coelho - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Linkedin
Amanda Alves Vidal – Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Linkedin
Fernanda Pahim Santos - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Linkedin
Gedivânia da Silva Pereira - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Linkedin
Renato Tanjoni - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Linkedin
Silvia Lefone Milan - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Linkedin
Tamires Prodocimo Cunha - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Linkedin
Kauê Kamia de Menezes - Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Linkedin
Juliana Pan- Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP - Linkedin


Área Técnica
Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (SAES)

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