Telemonitoramento após insuficiência cardíaca agudamente descompensada: ensaio clínico multicêntrico com perspectiva do Sistema Único de Saúde brasileiro
Hospital Moinhos de Vento

Telemonitoramento após insuficiência cardíaca agudamente descompensada: ensaio clínico multicêntrico com perspectiva do Sistema Único de Saúde brasileiro
Coração Bem Cuidado
2018-2020

Telemonitoramento após insuficiência cardíaca agudamente descompensada: ensaio clínico multicêntrico com perspectiva do Sistema Único de Saúde brasileiro
Resumo
A insuficiência cardíaca (IC) é uma condição em que o coração não consegue bombear a quantidade de sangue que o corpo necessita para suprir suas necessidades. Embora não existam estudos que documentem de forma precisa a prevalência de IC no Brasil, estima-se que, na última década, entre dois e quatro milhões de brasileiros tenham sido acometidos pela síndrome.

As internações por IC em hospitais públicos brasileiros representam aproximadamente 2% de todas as admissões. Em 2013, mais de 230 mil hospitalizações ocorreram em virtude dessa condição. Na população adulta idosa, a IC já representa a principal causa de hospitalização no Brasil. Esse cenário representa um alto custo para o Sistema Único de Saúde (SUS), corroborando com a necessidade de intervenções eficazes e de baixo investimento para o manejo desses pacientes.

Nesse sentido, o projeto tem o objetivo de desenvolver um programa de autocuidado e acompanhamento remoto para pacientes internados por IC em alta hospitalar recente. O programa é desenvolvido com base em um estudo nacional que visa avaliar a eficácia de estratégias inovadoras de monitoramento, educação e autocuidado, na condição clínica do paciente. Além disso, a factibilidade do programa, seu custo de implementação e o nível de satisfação dos pacientes também são avaliados.

O estudo conta com a participação de aproximadamente 20 hospitais provenientes de todas as regiões do país. Os pacientes com IC atendidos nos ambulatórios desses hospitais são convidados a participar do estudo e randomizados para realizar seu acompanhamento pós-alta hospitalar dentro do programa proposto ou da forma convencional.

A execução do projeto no Hospital Moinhos de Vento iniciou em agosto de 2018 e o estudo está sendo desenvolvido em parceria com o Hospital do Coração (HCor).


Introdução
A IC é uma doença crônica e, por isso, os pacientes necessitam de tratamento contínuo. Nos últimos anos, as taxas de sobrevida de pacientes com IC melhoraram em muitas partes do mundo, paralelamente à introdução de estratégias de tratamento, envolvendo educação do paciente, equipes multidisciplinares e sistemas de telemedicina. Apesar disso, dados mundiais indicam que entre 17 e 45% dos pacientes admitidos ao hospital por IC irão morrer dentro de um ano, e a maioria não estará viva depois de cinco anos, tornando necessárias estratégias que melhorem a adesão ao tratamento para prevenir esse cenário. Adicionalmente, os custos de tratamento da IC são altos, principalmente quando o paciente evolui para internação hospitalar.

Os custos de manejo da IC são compostos pelas internações hospitalares, visitas aos médicos e à equipe multidisciplinar, medicamentos, cuidados em casa e o valor crescente dos dispositivos implantáveis. As internações hospitalares e os implantes de dispositivos representam o maior impacto financeiro para o SUS. Nesse sentido, é fundamental que a implementação de iniciativas voltadas à aplicação no sistema de saúde público leve em consideração os custos e a efetividade clínica do programa.

O projeto tem como objetivo desenvolver um programa de autocuidado, educação e acompanhamento remoto para pacientes com IC a partir de em um estudo clínico nacional, que possibilite a avaliação em termos de custos e eficácia clínica.


Métodos
A avaliação da eficácia do programa é realizada através de um estudo clínico nacional, randomizado, com a participação de aproximadamente 20 hospitais de todas as regiões brasileiras e 700 pacientes. São incluídos no estudo pacientes adultos com IC em acompanhamento ambulatorial após uma internação em decorrência da síndrome, que apresentem alto risco de nova hospitalização e com possibilidade de acesso à telefonia celular. Os pacientes são randomizados para receber a estratégia de autocuidado, educação do paciente e monitoramento remoto baseado em mensagens por SMS, ou para receber o tratamento convencional de suas instituições. Todos são acompanhados no estudo ao longo de 12 meses, período no qual são avaliados desfechos laboratoriais e clínicos, tais como: redução dos níveis séricos de NT-proBNP, qualidade de vida relativa à saúde, reinternações hospitalares e mortalidade. Além disso, a factibilidade do programa, seu custo de implementação e o nível de satisfação dos pacientes também são avaliados.


Resultados
A execução do projeto no Hospital Moinhos de Vento iniciou em agosto de 2018. O estudo está sendo desenvolvido em parceria com o Hospital do Coração (HCor). A inclusão dos pacientes está prevista para iniciar em dezembro de 2018 e a divulgação dos resultados, no final de 2020.


Liderança
Mariana Guimarães Blacher - Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre - Lattes

Equipe
  • Luis Eduardo Rodhe – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS Lattes
  • Danielle do Amaral Pereira – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS Lattes
  • Amanda Ferreira de Carvalho - Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS Lattes
  • Leticia Lopez Pedraza – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre, RS Lattes 
  • Alexandre Biasi Cavalcanti – Hospital do Coração, SP – Lattes
  • Felix Ramires – Hospital do Coração, SP – Lattes
  • Helio Penna Guimarães – Hospital do Coração, SP - Lattes
  • Sabrina Bernardez Pereira Hospital do Coração, SP- Lattes


Colaboração
Sociedade Brasileira de Cardiologia- Departamento de Estudos em Insuficiência Cardíaca


Área Técnica
Departamento de Ciência e Tecnologia (DECIT)
Secretaria de Ciências, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE)


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