Melhorando a segurança do paciente em larga Escala no Brasil
Hospital Moinhos de Vento

Melhorando a segurança do paciente em larga Escala no Brasil
Saúde em Nossas Mãos
2018-2020

Melhorando a segurança do paciente em larga Escala no Brasil
Resumo
As Unidades de Terapia Intensiva (UTI) são locais destinados a pacientes que necessitam de cuidados intensivos, onde processos e dispositivos complexos são frequentemente necessários para a manutenção da vida. Alguns desses dispositivos podem aumentar a chance de infecções que causam sofrimento ao paciente, implicar no uso de antibióticos ou aumentar o tempo de internação e o custo do atendimento.

Segundo a OMS, as infecções hospitalares afetam 14 em cada 100 pacientes admitidos nos hospitais. De cada 100 pacientes hospitalizados em um determinado momento, 10 pacientes ficam expostos a infecções associadas a cuidados de saúde nos países em desenvolvimento. No Brasil, o cenário da ocorrência de eventos adversos não é diferente. Nesse contexto, o Ministério da Saúde instituiu o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), que tem como objetivo geral contribuir para a qualificação do cuidado em todos os estabelecimentos de saúde do território nacional, públicos e privados. A iniciativa visa somar esforços aos programas nacionais existentes e ao trabalho executado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e Vigilâncias Sanitárias locais.

O Projeto Saúde em Nossas Mãos tem como objetivo melhorar a segurança dos pacientes com a implementação de práticas das diretrizes de prevenção de infecções relacionadas à ventilação mecânica, uso de cateteres e de sondas vesicais em 119 UTIs das cinco regiões do Brasil.

Os cinco Hospitais PROADI-SUS do Brasil são: Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Hospital do Coração, Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital Sírio Libanês. Todos trabalham de forma colaborativa para a execução do projeto, utilizando métodos de melhoria contínua com o apoio técnico do Institute for Healthcare Improvement (IHI).

Cada Hospital PROADI-SUS apoia 24 UTIs por meio de visitas técnicas de suas equipes aos hospitais participantes,  encontros regionais para troca de experiências e sessões de aprendizagem presencial. Além disso, há apoio contínuo à distância e sessões de aprendizagem virtual (SAV).

As ações necessárias para alcançar os resultados esperados também incluem o monitoramento de indicadores e dos testes de mudança, além de estratégias de desenvolvimento de equipes colaborativas, de envolvimento de pacientes e familiares nos processos, e desenvolvimento de lideranças para implantação de segurança do paciente nas instituições.

O projeto está em andamento em todas as UTIs participantes que já receberam cinco ciclos de visitas do Hospital PROADI de referência. Também são realizadas reuniões virtuais mensais com os 119 hospitais participantes e já foram realizadas cinco sessões de aprendizagem presencial.

Após a implementação do projeto foi possível observar que o conjunto de UTIs participantes já reduziram as taxas de infecção de corrente sanguínea em 41%, taxas de infecção do trato urinário em 48% e taxas de infeccção de PAV em 28% ate maio de 2019



Introdução

A prestação do cuidado por profissionais da área da saúde pode ocasionar danos aos pacientes, os quais, na maioria das vezes não são intencionais, porém acarretam prejuízos físicos, emocionais, sociais e até fatais. Infecções relacionadas à assistência a saúde(IRAS) são exemplos destas condições que causam dano ao paciente.

As Unidades de Terapia Intensiva (UTI) são ambientes de riscoonde processos e dispositivos invasivos são necessários para a manutenção da vida. Os processos de inserção e manutenção de alguns desses dispositivos podem aumentar a chance de infecções acarretando eventual sofrimento ao paciente, uso de antibióticos ou aumento do tempo de internação e do custo.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, de cada 100 pacientes hospitalizados, 10 pacientes ficam expostos a infecções associadas a cuidados de saúde nos países em desenvolvimento. No Brasil, o cenário não é diferente. Em hospitais brasileiros, acredita-se que cerca de 70% dos danos que ocorrem podem ser evitados. Dado esse contexto, o Ministério da Saúde (MS) instituiu em 2013 o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), cujo objetivo principal é contribuir para a qualificação do cuidado nos estabelecimentos de saúde públicos e privados.

 O projeto Saúde em Nossas Mãos busca somar esforços aos programas nacionais vigentes, estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e Vigilâncias Sanitárias locais. O objetivo é melhorar a segurança do paciente com a implantação de práticas de prevenção de infecções relacionadas ao uso de ventilação mecânica, uso de cateteres venosos e de sondas vesicais em 119 UTIs nas cinco regiões do Brasil.

Os cinco hospitais PROADI-SUS trabalham de forma colaborativa para a execução do projeto, utilizando metodologia e apoio técnico do Institute for HealthcareImprovement (IHI). São eles: Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Hospital do Coração, Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Moinhos de Vento e Hospital Sírio Libanês



Métodos

As infecções prevenidas neste projeto são as mais prevalentes entre as IRAS e contribuem para o aumento da mortalidade, morbidade e dos custos hospitalares -infecção primária de corrente sanguínea associada a cateter venoso central,comprovadas laboratorialmente (IPCSL), pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) e infecção do trato urinário associada aouso do cateter vesical de demora (ITU-AC).O pacote de mudanças está alinhado ao PNSP e ao PNPCIRAS.

É um projeto colaborativo conduzido pelos hospitais PROADI-SUS, equipe técnica do PNSP, Coordenação Geral de Atenção Hospitalar e de Urgência do Departamento de Atenção Hospitalar (CGHOSP/DAHU/SAS/MS).

Cada hospital PROADI-SUS orienta 24 instituições na adoção das práticas de prevenção, em diferentes estados do Brasil. Atualmente participam 119 instituições em 25 estados e Distrito Federal.

Os 119 hospitais são capacitados para implantar as medidas de prevenção por meio de Ciclos de Melhorias (PDSA), até que o processo seja sustentado e praticado por todos. Durante o projeto ocorrem sessões de aprendizagem presenciais (SAP) e virtuais (SAV) para a troca de experiências e acompanhamento dos resultados.

 Os hospitais seguem um plano acordado com a equipe técnica de especialistas (hospitais PROADI e IHI) em forma de Diagramas Direcionadores (DD), adaptados às respectivas necessidades. As mudanças são monitoradas por visitas in loco, além dos indicadores reportados e analisados mensalmente.

O projeto utiliza a metodologia denominada Modelo de Melhoria (IHI), testada internacionalmente. Neste método os testes são feitos em pequena escala resultando em aprendizado e adaptações, antes da implantação em larga escala.

As ações essenciais para alcançar os resultados esperados incluemos testes de mudança, o trabalho colaborativo, o engajamento de pacientes e familiares e o desenvolvimento da liderança com foco na segurança do paciente.



Resultados

As Sessões de Aprendizagem Presenciais já realizadas ocorreram em dezembro de 2017, abril, agosto, novembro de 2018 e março de 2019, com participação em média de 600 pessoas das instituições participantes, Ministério de Saúde, Secretarias de Saúde, Vigilância Sanitárias e convidados.

O resultado agregado dos 119 hospitais participantes da Colaborativa até abril de 2019 mostra reduções de 41% das taxas de infecção de corrente sanguínea (IPCSL), 48% das taxas de infecção do trato urinário associada ao uso de cateter urinário(ITU-AC) e 28% das taxas de infecção de pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV). Estima-se que neste período foram evitadas 2345 infecções e 779 vidas foram salvas.

Além dos resultados assistenciais, o projeto também realiza a coleta de dados em alguns hospitais voluntários para o cálculo do custo associado às infecções (custo incremental). Este modelo será aplicado nos hospitais participantes visando demonstrar os ganhos financeiros do projeto com a redução de custos e desperdícios.

A lista completa das instituições  participantes está disponível na página http://portalms.saude.gov.br/acoes-e-programas/programa-nacional-de-seguranca-do-paciente-pnsp



Liderança

Elenara Oliveira Ribas - Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre – Linkedin



Equipe

Aline Brenner - Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre - Lattes
Carolina Maltz Hospital - Moinhos de Vento, Porto Alegre – Lattes
Cassiano Teixeira - Lattes
Cristiane Tejada da Silva Kawski - Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre - Lattes
Daiana Barbosa da Silva – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre – Lattes
Daniela Duarte da Silva de Jesus - Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre –  Lattes
Márcio Luiz Ferreira De Camillis – Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre – Lattes
Rafaela Moraes de Moura - Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre - Lattes
Tuane Machado Chaves - Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre- Lattes  
Pâmella Oliveira de Souza - Hospital Moinhos de Vento, Porto Alegre - Linkedin



Colaboração

ANVISA e visas regionais
Secretarias de Saúde
Institute for Healthcare Improvement



Área Técnica

Secretaria de Atenção à Saúde (SAS)
Departamento de Atenção Hospitalar e de Urgência (DAHU)
Coordenação Geral de Atenção Hospitalar (CGHOSP)



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