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APOST RAPS
APOST RAPS

APOST RAPS

    Resumo

    O Projeto de Apoio propõe a criação de um modelo digital de cuidado para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas, em parceria com o Departamento de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde. A iniciativa surge diante do crescimento expressivo das apostas, especialmente online, e do aumento de comportamentos problemáticos já reconhecidos como transtornos pela Classificação Internacional de Doenças (CID-11). No Brasil, milhões de pessoas apostaram no último ano, e uma parcela significativa apresenta risco ou sinais de Transtorno do Jogo, com impactos que incluem endividamento, conflitos familiares, prejuízos no trabalho e risco aumentado de sofrimento psíquico grave. 

    Diante desse cenário, o projeto busca fortalecer o SUS por meio da implementação de um serviço digital integrado à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), ampliando o acesso, qualificando o acolhimento e apoiando as equipes de saúde no manejo desses casos. A proposta inclui avaliação estruturada, estratégias de prevenção de recaídas e acompanhamento contínuo, com foco na integração da rede e no cuidado multiprofissional, garantindo atendimento adequado às pessoas em risco ou já diagnosticadas com Transtorno do Jogo. 

    Introdução

    O Projeto de Apoio “Rede integrada de cuidado e encaminhamento na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) para pessoas com necessidades relacionadas a jogos e apostas” tem como objetivo utilizar a experiência da Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês (HSL) para implementar um modelo de cuidado digital com suporte especializado. A proposta é melhorar o acesso ao atendimento e qualificar o cuidado de pessoas que enfrentam dificuldades com jogos e apostas. 

    O caminho que o usuário percorrerá no serviço e a estrutura do atendimento digital serão construídos em parceria com o Departamento de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas (DESMAD), do Ministério da Saúde. 

    Essa iniciativa surge como resposta ao aumento expressivo de comportamentos problemáticos ligados a jogos e apostas, especialmente após a expansão das plataformas digitais e das apostas esportivas. Esses comportamentos já são reconhecidos pela Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como transtornos relacionados a padrões de comportamento aditivo. 

    No Brasil, dados do levantamento LENAD III (2023–2024) mostram que 17,6% da população — cerca de 28 milhões de pessoas — fizeram apostas no último ano. Desses, 7,3% apresentam algum nível de risco ou comportamento problemático, segundo a escala internacional Problem Gambling Severity Index (PGSI). Estima-se que aproximadamente 1,4 milhão de pessoas apresentem padrões compatíveis com o Transtorno do Jogo. 

    Entre os usuários de apostas esportivas online, o cenário é ainda mais preocupante: 66,8% apresentam risco moderado ou alto de desenvolver problemas. Os índices são maiores entre homens, jovens, pessoas com menor renda e em determinadas regiões do país. 

    O transtorno relacionado ao jogo é marcado pela perda gradual de controle, pela prioridade cada vez maior dada ao ato de apostar e pela continuidade do comportamento mesmo diante de prejuízos financeiros, familiares, sociais e profissionais. Esse padrão pode levar ao endividamento, conflitos nos relacionamentos, queda no desempenho no trabalho e aumento do risco de comportamento suicida. 

    As causas são complexas e envolvem diversos fatores. Aspectos biológicos, como alterações nos sistemas cerebrais ligados à recompensa e à dopamina, podem favorecer decisões impulsivas e busca constante por risco. Ao mesmo tempo, fatores psicológicos e sociais — como experiências adversas, isolamento, baixa integração social e exposição precoce a jogos — aumentam a vulnerabilidade. 

    Também é importante considerar os chamados determinantes sociais e comerciais da saúde, como desigualdade econômica, gênero, raça, idade e estratégias de publicidade digital. Esses fatores influenciam quem é mais exposto e mais impactado pelo mercado de apostas. Estudos recentes indicam que homens jovens, pessoas negras e populações em maior vulnerabilidade social apresentam prevalências mais altas de comportamentos problemáticos. 

    O desenvolvimento do transtorno costuma ocorrer em ciclos: ganhos iniciais, perdas progressivas, desespero e tentativas de recuperar o dinheiro perdido, com aumento das apostas. Mesmo assim, menos de 20% das pessoas procuram tratamento, principalmente por vergonha, estigma e dificuldade de acesso a serviços especializados. 

    Para que o cuidado seja adequado, é fundamental que os profissionais saibam identificar e manejar esses comportamentos na prática. Assim como ocorre nos transtornos por uso de substâncias, o jogo problemático envolve padrões repetitivos que ativam o sistema de recompensa do cérebro, gerando compulsão, necessidade de apostar valores cada vez maiores e manutenção do comportamento apesar dos prejuízos. 

    Por isso, é essencial realizar avaliações estruturadas que diferenciem o jogo recreativo do comportamento prejudicial, identifiquem o grau de gravidade e compreendam o momento da pessoa em relação à mudança. O cuidado deve incluir avaliação clínica, estratégias motivacionais, prevenção de recaídas e acompanhamento psicossocial contínuo, com atuação multiprofissional e atenção às vulnerabilidades sociais e possíveis outros transtornos associados. 

    Diante desse cenário, os transtornos relacionados a jogos e apostas representam um desafio crescente para o SUS, impactando diretamente a Rede de Atenção Psicossocial e os serviços de atenção primária e especializada. A baixa busca espontânea por ajuda, a complexidade dos casos e a ausência de modelos estruturados de atendimento reforçam a necessidade de organizar respostas mais eficazes. 

    Nesse contexto, a criação de um modelo digital de cuidado específico para essa população representa uma oportunidade para fortalecer a RAPS. A proposta é qualificar o acolhimento, integrar os diferentes pontos de atenção, utilizar tecnologias digitais para ampliar o acesso e oferecer ferramentas e orientações de apoio às equipes de saúde. 

    Com base nesse diagnóstico, o Projeto prevê a implementação de um serviço digital integrado, a definição de fluxos de cuidado e o fortalecimento da capacidade técnica das equipes para lidar com esses transtornos. O objetivo é ampliar o acesso e qualificar o atendimento às pessoas com necessidades relacionadas a jogos e apostas, por meio de estratégias de telessaúde integradas à RAPS, garantindo acolhimento adequado e manejo apropriado para pessoas em risco ou com diagnóstico de Transtorno do Jogo. 

    Métodos

    O Projeto de Apoio contribuirá para a implementação de Linha de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos e Apostas por meio de recursos digitais que ampliam e diversificam as formas de acesso ao atendimento, contando como porta de entrada o aplicativo Meu SUS Digital, que conterá um mini aplicativo para as pessoas usuárias possam acessar as ofertas assistenciais do Projeto de Apoio.

    Esses componentes digitais têm como finalidade melhorar a qualidade do cuidado oferecido e fortalecer a atuação das equipes da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A metodologia integra organização tecnológica, definição clara dos fluxos de atendimento, oferta de cuidado clínico em formato digital, por meio de teleconsultas em formato grupal e individual, teleinterconsultas e teleconsultorias, suporte técnico às equipes que atuam nos territórios. 

    Equipe
    Hospital Sírio-Libanês

    Indicadores

    Profissionais capacitados 0
    Profissionais envolvidos em pesquisa 0
    Participantes envolvidos em pesquisa 0
    Profissionais envolvidos em projetos de gestão 0
    Profissionais-projeto envolvidos em ATS 0
    Quantidade de atendimentos planejados 0
    Quantidade de atendimentos realizados 0

    Abrangência

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