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16.12.2020 - Editado em 16.12.2020 - Compartilhar:
Transplantes: como o Hospital Israelita Albert Einstein qualifica profissionais de saúde do SUS pelo Brasil

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 96% dos transplantes de órgãos são feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). E o Brasil, país com dimensões continentais, possui diversos desafios, como falta de doadores, que podem variar de acordo com as necessidades de cada região.

Com a pandemia do novo coronavírus, o desafio adicional é a queda dos transplantes realizados: foram 17% procedimentos a menos no primeiro semestre de 2020 em comparação ao mesmo período do ano passado. Além disso, o número de óbitos na fila de espera aumentou em 34% em relação ao ano anterior.

Em um cenário como esse, também é importante investir na qualificação dos profissionais de saúde do SUS para identificarem potenciais doadores, realizarem o procedimento, entre tantas outras necessidades.

Por isso, o Hospital Israelita Albert Einstein, por meio do PROADI-SUS, oferta tutorias para profissionais da rede pública. “O que oferecemos é o compartilhamento do conhecimento do Einstein para que isso seja multiplicado no SUS, beneficiando cada vez mais pacientes”, explica José Eduardo Afonso Júnior, coordenador médico do programa de Transplantes da instituição.


Entenda mais das iniciativas:

O projeto atua na capacitação de médicos para o diagnóstico de morte encefálica – que é a perda irreversível das atividades cerebrais – através de curso estruturado segundo a Resolução 2.173 do Conselho Federal de Medicina. A iniciativa contempla médicos com no mínimo um ano de experiência no atendimento de pacientes em coma e contempla especialidades além da neurologia e neurocirurgia, tais como médicos intensivista e emergencistas.

Além disso, há a frente de tutoria e incorporação de novas tecnologias em quatro Centros Transplantadores no Brasil, localizados no Rio de Janeiro (pulmão), Mato Grosso do Sul, Sergipe (rim) e Pará (fígado) para cirurgiões, clínicos, infectologistas, patologistas, radiologistas e equipes multiprofissionais.

Por fim, pela frente assistencial do projeto, desde 2002, a iniciativa já realizou 3.767 transplantes em pacientes do SUS em diversas modalidades, como fígado, rim, pâncreas, coração, pulmão e intestino. No curso de morte encefálica, a qualificação já atingiu mais de 1.570 profissionais da rede pública.

Com a palavra: os beneficiários

O Dr. Rafael José Romero Reis é cirurgião do aparelho digestivo da Santa Casa de Belém e aluno do Projeto de Tutoria de Transplante Hepático. Ele conta que atua no atendimento ao paciente desde o início da doença, verificando também se há indicação para transplante, mas ainda sem realizar cirurgias. Por meio do PROADI-SUS, recebe a tutoria para também se especializar na realização do transplante.

“Para nós, ter um treinamento em um centro como o Einstein é o grande diferencial. Assim que concluirmos, estaremos aptos a realizar transplantes de fígado em nossa região. Já para os pacientes, o fato de não terem que buscar o tratamento em outro estado, onde não têm vínculo e apoio, é uma grande vantagem”, conta.

Já a Dra. Patrícia Fabricio Guerra Faveret, aluna do Projeto de Tutoria de Transplante de Pulmão do Estado do Rio de Janeiro, é pneumologista do Instituto Nacional de Cardiologia INC. Dessa forma, a profissional faz todo o atendimento de pacientes que têm doenças pulmonares, no pré e pós operatório. “A gente não tem treinamento de transplante pulmonar na residência, pois é outra especialidade. Por isso, o projeto agrega muito na minha formação como pneumologista. Hoje, sei fazer algo que poucos médicos sabem fazer e tudo foi ensinado na tutoria”, conclui.

 

Referências:

Transplant Observatory
http://www.transplant-observatory.org/data-charts-and-tables/chart/

Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO)
https://site.abto.org.br/en/

Transplantes: como o Hospital Israelita Albert Einstein qualifica profissionais de saúde do SUS pelo Brasil
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