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13.08.2021 - Editado em 13.08.2021 - Compartilhar:
Estudo TRIDENT recruta pessoas com histórico de AVC hemorrágico e pressão alta visando reduzir novos eventos cerebrais e cardíacos

Com o objetivo de fornecer evidências do impacto do tratamento para Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico em nível global, o Projeto TRIDENT (sigla em inglês para " Estudo da Terapia Tripla para Prevenção de Eventos Recorrentes de Doença Cerebral Intraparenquimatosa") estuda a combinação de medicamentos anti-hipertensivos em uma única pílula para diminuir a recorrência de AVC em pacientes que já tiveram AVC hemorrágico, uma das formas mais graves e responsável por 10% das reincidências de AVC no mundo. Coordenada internacionalmente pelo The George Institute for Global Health, na Austrália, a pesquisa é considerada uma das maiores do mundo neste segmento e, no Brasil, é conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS.

Para participar do estudo, o Hospital Moinhos de Vento está recrutando pacientes com histórico de AVC hemorrágico nos últimos 12 meses, que sejam maiores de 18 anos, tenham histórico de pressão alta e não possuam doenças relacionadas ao rim e fígado. A estimativa de inclusão global é de 1500 pacientes e o Brasil tem a meta de incluir 150 brasileiros em 11 centros de diversas regiões do país até o final de 2023. Os interessados em participar da pesquisa podem entrar em contato com a Rede Brasil AVC através do número 051 3907-3787.

De acordo com a Dra. Sheila Martins, investigadora principal do estudo e chefe do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento, os resultados poderão contribuir para a introdução de uma medicação anti-hipertensiva de baixo-custo no SUS e com taxa de adesão significativa, além de ter possibilidade de manufatura em laboratórios públicos.

"O Projeto TRIDENT testa o efeito de uma combinação de três medicamentos de baixa dosagem, em uma pílula única, na prevenção desses pacientes nos primeiros seis meses de tratamento. Essa medicação é capaz de reduzir efetivamente a pressão arterial com a intenção de prevenir novos eventos, como AVC isquêmico e hemorrágico, doenças do coração e, consequentemente, a taxa de mortalidade”, afirma.

Com 1.049 participantes incluídos mundialmente, o estudo teve início em 2017 e é executado na Austrália, China, Inglaterra, Taiwan, Malásia, Singapura, Sri Lanka, Holanda, Suécia e Brasil. De acordo com a Dra. Ana Cláudia de Souza, neurologista vascular do Hospital Moinhos de Vento e líder médica do Projeto TRIDENT no Brasil, a participação brasileira é fundamental para garantir a representatividade da sua população. "Isso porque o nosso país tem uma amostra étnica muito ampla, garantindo características genéticas muito diversas, e com um sistema de saúde universal. Temos uma rede de pesquisa nacional muito forte na área de AVC com pessoas interessadas em mudar e qualificar o atendimento a estes casos. Além de contribuir internacionalmente, temos o potencial de incluir um novo medicamento, de baixo custo, eficaz e de tomada única, eliminando a dificuldade dos pacientes de tomar vários medicamentos ao longo do dia”, ressalta.

Para mais informações sobre o projeto, acesse o portal do PROADI-SUS.

 

Prevenção evita até 90% dos casos

A chefe do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento, Sheila Martins, explica que o AVC é uma alteração súbita da circulação cerebral que pode ocorrer de duas formas: ou rompe um vaso sanguíneo cerebral espalhando sangue pelo cérebro, o chamado AVC Hemorrágico - que corresponde de 10% a 15% dos casos -; ou ocorre uma obstrução de um vaso sanguíneo cerebral e falta sangue numa região do cérebro, chamado AVC Isquêmico - considerado o mais comum, com tratamento possível se o paciente chegar rapidamente ao hospital.

Considerado o maior fator de incapacidade no mundo, é a segunda causa de mortalidade no Brasil, onde são registrados cerca de 400 mil casos por ano - destes, 80% são atendidos no Sistema Único de Saúde. Apesar das estatísticas, a especialista afirma que a doença é altamente prevenível e com capacidade de evitar até 90% dos casos.

"Uma em cada quatro pessoas, no mundo, terá um derrame cerebral. A boa notícia é que pode ser evitado se atuarmos em dez fatores de risco fundamentais, como a pressão alta - considerada o principal fator; colesterol elevado; diabetes; fumo; fibrilação atrial (arritmia cardíaca que provoca má circulação sanguínea); obesidade; sedentarismo; alimentação inadequada; abuso de bebidas alcoólicas; e depressão/estresse. Todos estes fatores implicam em uma mudança significativa no estilo de vida e é fundamental que a população tenha conhecimento disso, pois é uma doença que pode ser evitada com facilidade", explica. A Dra. Sheila reforça que o exercício é considerado um poderoso protetor contra o AVC: fazer 30 minutos de atividade física, cinco vezes por semana, reduz os riscos em quase 40%.

 

Tratamento imediato é fundamental

Ainda de acordo com a especialista, a cada minuto em que o vaso sanguíneo cerebral está fechado, cerca de dois milhões de neurônios morrem. Por isso, a especialista ressalta a importância de aprender a reconhecer os sinais, como perda de força ou dormência, geralmente em uma metade do corpo; dificuldade para falar ou compreender a fala; dificuldade de enxergar em um olho, nos dois olhos, ou numa metade do campo de visão; tontura, que se manifesta com uma sensação rotatória associada à falta de equilíbrio e de coordenação; e intensa dor de cabeça súbita.

"Com a presença de qualquer um desses fatores de risco, a chance maior é de que seja um AVC e o paciente precisa se direcionar imediatamente a um hospital. A recomendação é chamar o SAMU pelo número 192, ou baixar o aplicativo AVC Brasil, onde é possível, em qualquer lugar do país, reconhecer os centros especializados mais próximos ao usuário. Uma dica importante é que é melhor andar 30 quilômetros para chegar a um centro especializado do que se dirigir a uma unidade que não tenha o atendimento, porque o tratamento adequado do AVC diminui e evita sequelas, reduzindo, principalmente, a mortalidade", frisa. As sequelas podem ser leves e passageiras ou graves e incapacitantes. As mais frequentes são paralisias em partes do corpo e problemas de visão, memória e fala.

“Por fim, é preciso lembrar que, embora ainda seja um momento de mantermos o isolamento social devido à pandemia, o AVC não fica em casa. Essas pessoas precisam ser tratadas imediatamente, pois isso salva vidas e evita sequelas”, conclui.

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