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01.09.2021 - Editado em 01.09.2021 - Compartilhar:
Estudo do PROADI-SUS que aponta aumento da eficiência na atenção à saúde com emprego de teleconsultas no Sistema Único de Saúde é publicado em revista internacional

Com a pandemia de COVID-19, os atendimentos a doenças crônicas não-transmissíveis em ambulatórios de atenção especializada foram suspensos a fim de preservar os pacientes de riscos de infecção pelo novo Coronavírus. Nesse contexto, o Projeto Regula + Brasil Colaborativo, conduzido pelos hospitais integrantes do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS) em parceria com o Ministério da Saúde, empregou teleconsultas para atender à demanda reprimida por consultas, – tendo sido publicado artigo com o resultado desta operação na revista americana Telemedicine and e-Health, considerada referência na publicação de iniciativas voltadas para telemedicina em diferentes países. 

O artigo “Telessaúde para apoiar encaminhamentos para atendimento especializado durante o COVID-19”, (título em inglês: “Telehealth for Supporting Referrals to Specialized Care During COVID-19”) pode ser acessado neste link.

De acordo com Stephan Sperling, um dos autores do artigo e coordenador médico do projeto no Hospital Sírio-Libanês, um dos participantes do Proadi-SUS, “com a ajuda da telessaúde e de suas tecnologias de informação e comunicação conseguimos implementar mudanças nas classificações de prioridade de encaminhamento e, consequentemente, administrar as urgências de forma mais eficiente, protegendo pacientes da desassistência”. Eno Filho, co-autor do estudo e líder médico no projeto pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz, destaca que “ainda é muito comum, no Brasil, que o ordenamento das pessoas encaminhadas a especialistas focais se dê por sua ordem de inserção, sem considerar critérios de adequação ou gravidade. Sua reclassificação a partir de protocolos de referência baseados em evidências é um aporte capaz de incrementar rapidamente o encontro entre necessidades e soluções em saúde”.

Sperling explica, ainda, que a teleconsulta, implantada como ferramenta para reduzir atrasos no acesso aos cuidados de saúde devido à COVID-19, permitiu a manutenção do cuidado comunitário dos pacientes.  “Médicos de diferentes locais do país, vinculados às entidades de saúde de reconhecida excelência que compõem este projeto, apoiaram Redes de Atenção à Saúde de quatro regiões, com alta satisfação e segurança para os pacientes, evitando deslocamentos desnecessários”, completa o médico.


Resultados

O estudo analisou ​​622 encaminhamentos aprovados para a realização de teleconsultas, oferecendo atendimento especializado nas áreas de cardiologia, endocrinologia, neurologia, reumatologia, ortopedia e traumatologia. Como resultado, obteve-se redução nas classificações de prioridade em 449 casos (72,2%) após o atendimento remoto, bem como a manutenção de 44,8% dos casos encaminhados na Atenção Primária à Saúde, demonstrando uma contribuição consistente do uso da telessaúde como ferramenta para agilizar a consulta com  pertinência clínica e prioridade adequada, promovendo a universalidade e a equidade nos sistemas de saúde.

De acordo com Sabrina Dalbosco Gadenz, gerente do projeto pelo Hospital Sírio-Libanês e uma das autoras, o artigo fomenta a discussão sobre o uso da telemedicina em um momento em que a regulamentação permanente está sendo discutida no Brasil. Desde abril de 2020, a telemedicina foi autorizada temporariamente no Brasil, por meio da Lei 13.989/20, mas  apenas durante a pandemia. “Essa publicação contribui com a discussão sobre o atendimento no SUS por meio de teleconsulta  e sobre a possibilidade da primeira consulta acontecer de forma virtual”, afirma.

Para a realização do estudo, foi aplicado o método descritivo das teleconsultas realizadas como estratégia complementar ao sistema de gestão de referência operado remotamente, responsável por encaminhar os casos das unidades de atenção primária à atenção especializada em Recife, entre 6 de maio de 2020 e 30 de setembro de 2020. Segundo Sabrina, o artigo sobre a teleconsulta implantada como ferramenta para reduzir atrasos no acesso aos cuidados de saúde devido à COVID-19 também permitiu a reclassificação da adequação e prioridade do encaminhamento. 

O  Gerente Médico de Saúde Digital do Hospital Moinhos de Vento, Felipe Cabral,  afirma que a Telemedicina veio para ficar. "Com a chegada da pandemia, a implementação dessa tecnologia foi antecipada, pois milhares de pessoas necessitavam de atendimento médico ágil, seguro e de qualidade. A Teleconsulta reduz as fronteiras e proporciona o acesso da medicina para toda população, ela também é fundamental na qualificação de profissionais à distância, facilitando a discussão de casos e até o monitoramento de pacientes crônicos”, ressalta.

A grande satisfação por parte dos usuários do SUS, que se sentem acolhidos e têm seus problemas de saúde atendidos, também é motivo de realização para os profissionais comprometidos com o projeto. “Poder participar de um projeto como o Regula+Brasil Colaborativo e observar a diferença que podemos realizar na vida das pessoas que dependem do atendimento público é muito gratificante” declara Camila Rocon, coordenadora médica do projeto do Hcor e também uma das autoras do artigo.

O Regula + Brasil Colaborativo chegou a Recife para atender às necessidades de saúde da região, de forma colaborativa entre os hospitais membros do PROADI-SUS: Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Hcor, Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Sírio-Libanês e, a partir deste ano, BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Para saber mais sobre o projeto, acesse: https://hospitais.proadi-sus.org.br/projetos/114/regula-mais-brasil

Estudo do PROADI-SUS que aponta aumento da eficiência na atenção à saúde com emprego de teleconsultas no Sistema Único de Saúde é publicado em revista internacional
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