Voltar

NOTÍCIAS

27.10.2021 - Editado em 08.11.2021 - Compartilhar:
Estudo do PROADI-SUS com abrangência nacional busca aumentar em 80% diagnósticos e tratamento de hepatites em fase aguda


Desde 2018, o Hospital Israelita Albert Einstein conduz, por meio do PROADI-SUS e em parceria com o Ministério da Saúde, o projeto Hepatites Virais Agudas, que estuda as características epidemiológicas e clínicas destas doenças em serviços de saúde para descobrir quais são seus agentes causadores no país. A iniciativa pretende aumentar o diagnóstico e o tratamento das hepatites agudas em 80%, meta alinhada ao programa de saúde pública da Organização Mundial de Saúde (OMS) e ao plano de erradicação da doença no Brasil.

Ao todo, são 20 instituições participantes distribuídas em 14 estados para avaliar cerca de 2 mil pacientes acima de 18 anos até o final do próximo ano, com expectativa de conclusão do estudo em 2023.  Os dados são coletados por meio do acompanhamento de pessoas com suspeita clínica da doença – até o momento, já foram recrutadas 529 pessoas. Devido ao seu ineditismo e relevância, o estudo teve um artigo publicado no BMJ Open, periódico acadêmico britânico considerado um dos mais influentes e conceituados no mundo, detalhando todo o protocolo de execução.

Devido ao pouco conhecimento a respeito das hepatites virais agudas no país, a demanda surgiu por meio do Departamento de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. 

"Foi constatado que se possui dados sobre hepatites crônicas, mas não sobre as agudas, forma benigna da doença que se não tratada, pode evoluir para a fase mais agressiva. Desta forma, não há dados confiáveis sobre seus principais agentes causadores, sendo que diversas doenças podem ser responsáveis por quadros clínicos similares. Sendo assim, pela primeira vez se fala em fazer um estudo deste porte com abrangência nacional - o número colhido até agora já é o maior realizado”, destaca o Dr. João Renato Rebello Pinho, médico do Departamento de Patologia Clínica do Einstein e líder do projeto. “As pessoas pensam que as hepatites devem ser tratadas quando o quadro é grave, mas, muitas vezes, desenvolvem a forma crônica por não terem sido diagnosticadas e acompanhadas adequadamente", completa.

O que são as hepatites agudas, afinal?

A hepatite aguda é causada por diferentes agentes, como vírus, bactérias, fungos, parasitas e outras etiologias não infecciosas, como toxicidade de drogas, alterações metabólicas, doenças autoimunes e hereditárias. Geralmente benigna, a doença pode causar inflamações hepáticas e até progredir para a hepatite fulminante. Algumas, dependendo das causas, podem evoluir para hepatites crônicas, cirrose hepática, ou até mesmo para carcinoma hepatocelular, representando um grave problema de saúde pública.

No Brasil, as mais frequentes são as hepatites virais: A, B, C, D e E. Exceto pela B, que tem genoma de DNA, todos os outros são vírus de RNA e diferem em suas rotas de transmissão e apresentação clínica. Apesar das diferenças no tipo de genoma viral, estrutura molecular e classificação taxonômica, esses cinco agentes etiológicos têm o fígado como alvo principal.

O líder do projeto Hepatites Virais Agudas explica que entre as doenças que podem causar condições similares estão a febre amarela, herpes, dengue, Chikungunya, Zika Vírus, leptospirose, toxoplasmose, sífilis, entre outras. “Por isso, um dos nossos principais objetivos é obter conhecimento das características clínico-epidemiológicas e moleculares das doenças de acordo com as condições de cada região do Brasil, além de determinar as taxas de incidência pelos vírus hepatotrópicos (que são ‘atraídos’ pelas células do fígado). Além disso, é fundamental detectar outros vírus e causas associadas que sejam relevantes no diagnóstico, para que esses casos possam ser melhor compreendidos e combatidos”, conclui.

Estudo do PROADI-SUS com abrangência nacional busca aumentar em 80% diagnósticos e tratamento de hepatites em fase aguda
Processando