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30.09.2020 - Editado em 30.09.2020 - Compartilhar:
Preceptores em Medicina de Família e Comunidade relatam experiências em Oficina do Hospital Moinhos de Vento

O Projeto Curso de Especialização de Preceptoria em Medicina de Família e Comunidade, do Hospital Moinhos de Vento por meio do PROADI-SUS, realizou no dia 25 de setembro a 2ª edição da Oficina de Tutores, com programação totalmente online. No turno da manhã o evento abordou o andamento do curso de Preceptoria e suas perspectivas até o final do ano de 2020. 

O período da tarde foi dedicado à escuta dos relatos de preceptores e residentes de diferentes estados do Brasil. Os convidados falaram sobre suas experiências como Médicos de Família e Comunidade e a atuação como Preceptores em tempos de pandemia, assim como o trabalho que realizam em suas unidades de saúde e a realidade que enfrentam atualmente. 

João Victor Bohn, preceptor do Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade do Rio de Janeiro/RJ, relatou a experiência como médico na Clínica da Família Maria do Socorro, localizada na Rocinha. Ao lado da médica residente do segundo ano, Amanda Barroso, contou sobre a rotina da Unidade de Saúde durante a pandemia de COVID-19. Amanda lembrou que logo no início da pandemia, em virtude da suspensão das aulas presenciais, os residentes tiveram que se adaptar aos novos processos de ensinagem: “Nesse momento os residentes passaram a se reunir e se organizar enquanto grupo”, destaca, lembrando que o período trouxe o desenvolvimento de competências como liderança, flexibilidade e resiliência.  Bohn ressaltou que quando a pandemia chegou ao pico já havia mais motivação por parte das equipes e que apesar do aumento das demandas, conseguiram estabelecer fluxos e implementar novas tecnologias à rotina. Os residentes se reuniram em grupos de trabalho divididos nos temas vigilância, comunicação, estrutural e logístico, técnico e cuidado, afirmou o palestrante. 

Da cidade de Florianópolis/SC, o preceptor Jardel Côrrea de Oliveira, que atua como Médico de Família e Comunidade no Centro de Saúde João Paulo, fez seu relato ao lado da aluna residente do terceiro ano Daniela Harter Pamplona. O médico preceptor relatou que no início da pandemia a diminuição dos atendimentos presenciais possibilitou o foco no processo de trabalho e no treinamento do serviço para o COVID-19: “O nosso papel foi mais no sentido de capacitação em relação aos protocolos, organizando-os para a aplicação”, lembra.  Outro destaque foi o aumento no número de tele consultas, inclusive em comparação com o mesmo período de 2019. O uso do whatsapp foi um dos destaques, com a criação de um sistema de mensagens rápidas para triagem pelo aplicativo. Para Daniela, os alunos residentes do primeiro ano foram os que mais sentiram o início da pandemia: “Muitos vieram de outras cidades e acabaram ficando sozinhos, já que não havia a possibilidade de compartilhamento e integração com os outros alunos”, lembra. 

Por fim, a médica de família e comunidade Rafaela Aprato Menezes relatou sua experiência como preceptora no Centro de Saúde Modelo, localizado em Porto Alegre/RS, acompanhada da aluna Thaíse Ferrari, residente do primeiro ano. Rafaela lembrou que no início da pandemia havia uma sensação de medo muito grande: “Tínhamos uma preocupação grande com o aprendizado e com a saúde das pessoas, então foi preciso ter resiliência e implementar mudanças”, lembra. A preceptora elogiou a atitude proativa da equipe de residentes, sobretudo da aluna Thaíse, que rapidamente auxiliou na reorganização do atendimento no local, na implementação do tele monitoramento e no atendimento no formato drive-thru. Thaíse, que iniciou a residência em março, relatou que sentiu o impacto do início da pandemia: “Foi diferente de tudo que eu havia imaginado”, lembra, contando que além das aulas em EAD, houve também uma diminuição no número de pacientes, além da mudança de perfil dos mesmos, já que o atendimento de pessoas com sintomas respiratórios aumentou. 

 

Para a líder do projeto, Carmen Vera Giacobbo Daudt, a oficina abordou  o impacto da pandemia por Covid-19 na formação em Medicina de Família e Comunidade, no contexto da Atenção Primária à Saúde, através do relato  de preceptores de MFC experientes que atuam em contextos diversos no país: “A oficina propiciou discussões específicas sobre a especialização em andamento, integrando conhecimentos da equipe do projeto e tutores, cumprindo seu objetivo”, finalizou.

Sobre o projeto

O Curso de Especialização de Preceptoria em Medicina de Família e Comunidade tem o objetivo de qualificar os profissionais médicos que atuarão como preceptores, na orientação de residentes na Atenção Primária à Saúde (APS). Atualmente conta com 605 alunos ativos, que realizam o curso com duração de 24 meses, tutorado e com carga horária de 550 horas. A oferta é realizada pela Associação Hospitalar Moinhos de Vento, em parceria com a Universidade Aberta do SUS, vinculada à Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UNA-SUS/UFCSPA) e com o apoio da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC).

Um grupo de 28 tutores têm o papel de orientar e acompanhar a distância o desenvolvimento dos profissionais médicos que irão atuar como preceptores. Espera-se que a formação de preceptores qualifique os Programas de Residência em Medicina de Família e Comunidade (MFC), promova a ocupação das vagas desses programas de residência ofertadas atualmente e possibilite a ampliação de vagas para a especialidade, tão importante no fortalecimento da APS do país.

Hoje, no Brasil, há cerca de 44.000 Equipes de Saúde da Família (ESF) responsáveis pela assistência da população na Atenção Primária à Saúde, nível onde cerca de 85% dos problemas de saúde da população podem ser resolvidos. Entretanto, uma pequena parcela destas equipes contam com médicos especialistas em APS, ou seja, o Médico de Família e Comunidade (MFC). O projeto está estimulando a qualificação da formação de médicos preceptores que atuarão na formação de novos especialistas em MFC.

 

Preceptores em Medicina de Família e Comunidade relatam experiências em Oficina do Hospital Moinhos de Vento
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